As técnicas utilizadas pelos pescadores do Capibaribe são variadas, mas uma coisa todos têm em comum: a maré sempre dita as regras e os horários do expediente. Há vezes em que as embarcações saem às 6h da noite. Numa outra ocasião, a 1h da manhã, meia-noite. E retornam alguns às 8h30, outros perto da uma da tarde.
Para os que procuram os crustáceos, como mariscos e sururus, não há outra opção senão enfiar os pés e as mãos na lama no meio do rio enquanto ele está seco. Colocam o que conseguiram em grades de plástico que são parcialmente mergulhadas nas águas no rio para retirar o excesso de lama. Alguns estendem sacos plásticos e vão amontoando os frutos do rio para irem recolhendo aos poucos.
Há dois tipos de embracações, as motorizadas, de maior porte e as de remo, que são menores. As grandes embarcações dirigem-se para o Atlântico onde jogam redes mais fortes que capturam os maiores peixes. As menores parecem procurar lugares estratégicos para lançarem suas redes, chamadas de tarrafas. Os pescadores lançam a rede, aguardam e logo após a puxam. Às vezes vêm peixes, mas várias vezes o que vem é lixo. Os pescadores sabem que a pesca com um outro tipo de rede - a de arrasto - é proibida pelo Ibama, pois nas redes vêm siris pequenos, fêmeas de siris com ovas e peixes que não tiveram tempo de crescer. Entretanto, alguns aindam fazem o uso dessa prática, embora todos neguem com muita veemência. Há também os pescadores que jogam linhas de mão de cima da ponte. Esperam o peixe que vem da correnteza fisgar a isca e vão lançando em seus baldes o que conseguem pescar.
A técnica para pegar siris e camarões é curiosa. A armadilha, chamada por eles de jereré, é preenchida com tripas de galinha amarradas numa corda, que atraem os bichos. O pescador desce a corda que amarra o jereré do alto da ponte até o fundo do rio. Depois de alguns minutos, puxa-o novamente para a superfície. Os siris estão lá, presos na rede, feita de saco de alho ou de cebola. É uma prática que exige esforço e atenção. O jereré tem que ser movido constantemente. Uma vez lançada a armadilha, o pescador não pode parar e passa horas nesse vai-e-vem.